Quem diria… Fechamos a semana passada em ALTA ! ! !
Vejam só… terminamos a semana com a bolsa em alta. Quem diria! Na realidade, o último dia de pregão da semana passada foi bom para todo o mundo. Vide quadro abaixo:
Pensando na causa versus o efeito, possivelmente o grande vilão desta novela toda foram os bancos centrais dos paises de 1º mundo que deixaram as suas taxas de juros muito baixas durante muito muito muito tempo. A justificativa desta posição foi decorrência de 3 eventos que, num 1º momento, pareciam que conseguiriam afetar a economia global do planeta:
1. a explosão das ponto.com
2. os mega fraudes contábeis dos grandes conglomerados econômicos
3. 11 de setembro
Esta baixa de juros no 1º mundo deixou o mercado liquidíssimo, estimulando assim uma procura por juros maiores. Foi aí que começou a invasão dos investidores nos mercados emergentes.
Neste cenário de juros baixos, os yakees começaram a permitir o refinanciamento e alongamento das dividas por parte dos seus devedores. Consequentemente, com compromissos menores mensais, o americano de classe média acelerou no consumo.
Foi o boom do mercado imobiliário americano. Tudo que foi pessoa física teve a chance de comprar, ou melhor, financiar a sua moradia. Vale a ressalva que, num mercado tão estável como o americano, com taxas de juros tão baixas há tanto tempo, permitiu que as instituições financeiras concedessem crédito em função do perfil individual de cada tomador, ou seja, quem paga em dia paga menos do que quem paga atrasado. Os bons pagadores são chamados de PRIME, aqueles que de vez em quando atrasam, são chamados de NEAR PRIME e aqueles que estão sempre atrasando de SUBPRIME.
A tentação e o exagero, num cenário tão controlado, fez com que mais e mais instituições financeiras concedessem crédito até mesmo para os clientes SUBPRIME. Como a procura por novas moradias aumentou muito, conseqüentemente os seus preços também subiram, e, desta forma, as pessoas físicas precisaram se refinanciar, tormar novos empréstimos para conseguir honrar as suas dividas.
A situação era mais ou menos assim: americano MUITO MAIS endividado com um imóvel MUITO MAIS valorizado!
Como a procura das instituições financeiras por ganhos cada vez maiores é uma constante, todos estes recebíveis foram passados para frente. Viraram recebíveis securitizados, revendidos para um mercado aflitíssimo por mais mais mais e mais ganhos!
Os investidores globais compraram estes títulos: fundos, empresas, assets, gestores etc… foi realmente brilhante… o alto risco acabara de ser diluído e espalhado por diferentes produtos, por todo o mundo!
O fato foi que este consumo exacerbado estimulou a inflação. Consequentemente os juros foram subindo lentamente. O FED foi de grão em grão, desde 2003, aumentando sua taxa de juros de 1% até os atuais 5,25%.
Quem consegue pagar um empréstimo de longo prazo, pós-fixado, com uma taxa de juros que aumentou em 3 anos quase 425%. Adeus marasmo para a economia americana!
Quando a inadimplência das pessoas físicas disparou, o preço dos imóveis despencou, e os bancos realizaram que estavam comprados com produtos supervalorizados, que não mais pagariam as promessas de rentabilidade originais.
O mercado ficou nervoso quando percebeu que estes recebíveis podres estavam espalhados por todos os lugares, sem conseguirem precisar exatamente qual seria o potencial tamanho do estrago que eles poderiam causar. Os resgates começaram a acontecer e o dinheiro do mundo começou a procurar novamente os seus portos seguros!
Alguns fundos travaram seus resgates, mas os bancos centrais, imediatamente injetaram dinheiro mais barato nas suas economias, garantindo a continuidade da liquidez, diferentemente de 1929, quando eles não injetaram dinheiro na economia quando as ações despencaram.
As economias mundiais e seus bancos centrais estão dispostos a pagar qualquer preço para evitarem um contagio geral! Viva o MUNDO GLOBALIZADO!

20 de Novembro de 2007 @ 18:50
[…] Para recordarmos os conceitos desta famigerada crise, recomenda as leituras dos artigos passados: “Quem diria fechamos a semana passada em alta” e “E o que o Brasil tem a ver com esta crise?” respectivamente. […]